Berrantômetro

O Berrantômetro não faz pesquisa eleitoral. Analisa dados públicos oficiais e pesquisas registradas no TSE, com a fonte em cada card. Estimativa é cenário, não é resultado. Leia o aviso completo

Crônica · opinião

A boiada e os berrantes

Eleição é escolha, mas também é condução: quem toca mais alto, quem paga o som, quem anuncia a direção da boiada. As charges provocam; os dados do resto do site mostram o que as fontes oficiais registram. Uma coisa não substitui a outra.

✎ CHARGE · OPINIÃOilustrações satíricas geradas por IA · não retratam fatos
Charge: sob a placa Berrantômetro, Lula monta um dinossauro, Augusto Cury sonha sentado na lua, Renan Santos cavalga uma onça, Caiado um alazão, Flávio Bolsonaro divide uma mula e Zema toca berrante num jegue, sobre uma boiada de brinco 'eleitor'; ministros do STF cavalgam à margem.
✎ CHARGE · OPINIÃOA largada do BerrantômetroCada um na sua montaria, cada um com seu berrante — e a boiada, de brinco amarelo escrito ELEITOR, correndo no meio da poeira. Este site faz três perguntas: quem toca, quem segue e quanto custou o som.

Crônica

A largada

✎ CHARGE · OPINIÃO

Texto opinativo. Os números marcados ● são observados (fonte entre parênteses no selo).

Domingo, 4 de outubro, a porteira abre. Antes dela, durante meses, o que se ouviu foi berrante: cada candidato soprando o seu, cada um montado no bicho que escolheu para a foto.

Tem o dinossauro, que corre esta pista desde 1989 e conhece o atalho de cada curva. Tem a onça, que ruge mais no algoritmo do que no palanque. Tem o alazão de rédea curta, a jegue mineira carregada de pão de queijo e, lá no alto, um candidato meditando sentado na lua. À margem, sem estar na cédula, cavaleiros de toga também galopam.

Berrante custa. As campanhas já declararam R$ 6,36 bi ● TSE, até 03/10/2026 em receitas. Para afinar o toque, vieram as pesquisas: 85 ● registro TSE delas já compiladas aqui, e 21.651 ● RSS, 20 veículos notícias ecoando o som.

E a boiada? São 158,7 mi ● TSE eleitores, cada um com seu brinco amarelo na orelha. Diz o senso comum que o gado segue o berrante mais alto. A pesquisa anuncia quem está na frente, o anúncio vira manchete, a manchete vira berrante — e a profecia trabalha para se cumprir sozinha.

Este site não sabe para onde a boiada vai. Ninguém sabe: as pesquisas não usam amostra aleatória nem têm metodologia auditável, e as simulações daqui só reorganizam o que elas dizem. O que dá para fazer é contar os berrantes, medir quanto custaram e lembrar o que nenhuma charge consegue desenhar: na urna não tem peão. Cada brinco vota sozinho.

Os peões da cédula

Quem pede o seu voto em 4 de outubro.

Charge: Lula, de camisa do PT, acena com o chapéu montado num dinossauro verde de lenço vermelho, à frente da boiada.
Capítulo 1

Lula no Dino-ssauro

Na estrada desde antes do Plano Real, o dinossauro ainda corre — e a boiada conhece esse toque de cor. Experiência ou fóssil? Quem responde é a urna; a pesquisa só especula.

Nenhum peão conhece tanto esta estrada: disputou a Presidência pela primeira vez em 1989 e está de novo na pista. O dinossauro não é ofensa, é cronologia. A pergunta que a charge deixa é outra: a boiada segue esse toque porque concorda com ele ou porque se acostumou a ouvi-lo?

Charge: Augusto Cury sentado numa lua crescente, abraçado a um livro com seu nome, sonhando acordado sobre a boiada.
Capítulo 2

Augusto Cury no mundo da lua

Gestão da emoção para mais de 150 milhões de eleitores. Enquanto a boiada corre lá embaixo, o candidato medita sentado na lua crescente, abraçado ao próprio livro.

Psiquiatra e autor de best-sellers sobre a mente, promete cuidar da emoção do país. Na charge, está longe do pó da estrada — e talvez seja esse o ponto: tem campanha que se faz no livro e tem campanha que se faz no chão do curral. A urna costuma conhecer melhor a segunda.

Charge: Renan Santos, de faixa verde, monta uma onça-pintada que ruge e aponta para a frente, com os adversários a cavalo atrás.
Capítulo 3

Renan Santos montado na onça

Candidato pela Missão, montado na fera e apontando o dedo para todo o resto. Berrante para quê? O rugido faz o serviço — principalmente no algoritmo.

Fundador do MBL, chega pela Missão com o estilo que o tornou conhecido: dedo em riste e vídeo curto. Onça é bicho bonito de ver e difícil de montar. Rugido rende alcance; alcance não é voto — e a diferença entre os dois só aparece na apuração.

Charge: Ronaldo Caiado, de camisa azul, galopa num cavalo alazão acenando com o chapéu entre o gado.
Capítulo 4

Caiado no comando do alazão

Chapéu na mão, rédea curta, alazão a galope. Tocar boiada ele sabe; a dúvida é se a boiada é de Goiás ou do Brasil.

Médico, produtor rural, ex-governador de Goiás e veterano do Congresso, fala a língua do campo melhor que qualquer marqueteiro. O alazão é bicho de confiança, mas a pista nacional é mais larga que o cerrado, e boiada de outro estado nem sempre reconhece o toque.

Charge: Romeu Zema, de chapéu de palha, toca berrante montado numa jegue, com um saco de pães de queijo de Minas Gerais.
Capítulo 5

Zema chamando a boiada

Pão de queijo numa mão, Minas no embornal e o berrante no talo. A jegue parece bem menos convencida que o peão.

Ex-governador de Minas, fez do jeito simples do interior uma marca. A jegue da charge é a dúvida que toda candidatura de fora do eixo Rio–São Paulo carrega: dá para tocar boiada nacional com sotaque regional? Pão de queijo ajuda; voto de outro estado é outra conversa.

Os cavaleiros fora da cédula

Não aparecem na urna, mas também tocam berrante.

Charge: ministros do STF de toga, montados em cavalos pretos, galopam à margem da boiada sob uma placa 'Os cavaleiros à margem'.
Capítulo 6

Os cavaleiros à margem

Não estão na cédula, mas cavalgam ao lado da boiada. Toga ao vento e martelo erguido: quem não disputa voto também ajuda a decidir por onde o rebanho passa.

A Justiça Eleitoral organiza a corrida: julga registros, manda tirar conteúdo do ar, decide recursos. Isso é institucional, não conspiração. Mas quem decide quem pode correr também mexe na corrida — e esse poder merece o mesmo escrutínio que qualquer berrante.

✎ CHARGE · OPINIÃO
Charge: Jacques Wagner a cavalo gira um laço, arrastando políticos amarrados por cordas, ao lado de uma placa 'no curral da articulação'.
Capítulo 7

Jacques Wagner no curral da articulação

Laço numa mão, aliado na outra. Eleição também se ganha antes da urna — puxando corda nos bastidores.

Senador e articulador do governo, o peão do laço trabalha onde a câmera não chega: alianças, palanques estaduais, apoio de prefeito. O eleitor vê a largada; a corda foi esticada muito antes dela.

✎ CHARGE · OPINIÃO
Charge: Paulo Gonet, de toga com a sigla PGR, gira um laço montado num cavalo preto enquanto candidatos observam da cerca.
Capítulo 8

Gonet no cerco do berrante

A PGR laça; os candidatos espiam da cerca. Quando a disputa sobe para o tribunal, o eleitor vira plateia.

Procurador-geral da República, é quem leva denúncias ao Supremo. Os candidatos olham da cerca porque sabem: quando a disputa política vira processo, o calendário do tribunal passa a pesar tanto quanto o da campanha.

✎ CHARGE · OPINIÃO
Charge: Luciano Huck, de colete de estrelas e microfone, cavalga à frente de uma carreta de som com dançarinas.
Capítulo 9

Luciano Huck no show do berrante

Microfone, carreta de som e plateia animada. Toda eleição tem um candidato que não é candidato — e o berrante dele toca no horário nobre.

Toda eleição tem o nome que ronda as pesquisas e a especulação, dentro ou fora da cédula. O show do berrante lembra que fama é atalho de atenção — e atenção é justamente o que a pergunta espontânea de uma pesquisa mede primeiro.

✎ CHARGE · OPINIÃO

A indústria do voto útil

Quem toca o berrante, quem comenta o toque e para onde a boiada acaba indo.

Charge: sob a placa 'O Berrantômetro e a indústria do voto útil', Zema, de chapéu de palha, toca berrante montado num jegue e grita 'Acorda, gado eleitoral! Vem comigo que esse é o candidato viável!'. Legenda: Zema e o berrante. No canto do curral, Zema sopra o berrante como quem chama a boiada para a arena. No Berrantômetro, o som vale mais que o trote: quem faz barulho sempre tenta parecer candidato viável.
✎ CHARGE · OPINIÃO
Charge: vacas de olhos arregalados com a palavra 'eleitor' no peito, apertadas num cercado, perguntam 'Voto útil?', 'Em quem eu voto?', 'É o fim?', 'E agora?'. Legenda: O gado eleitoral. No cercado do voto útil, a boiada pergunta para onde ir, mas raramente escolhe o rumo sozinha. Entre dúvida, medo e pressa, o eleitor vira massa conduzida pelo som do berrante.
✎ CHARGE · OPINIÃO
Charge: Lula, de capa vermelha, montado num dinossauro com o lenço do PT, diz 'Rumo à reeleição! Mais impostos, mais Estado, mais amor!'; ao lado, um astronauta pensativo sentado na lua. Legenda: Entre o Dino e a Lua. Enquanto um lado desfila força montado no Dino-ssauro, o outro observa do alto da lua contemplativa. No Berrantômetro, espetáculo e reflexão dividem o mesmo céu, mas a poeira continua na terra.
✎ CHARGE · OPINIÃOAgora os dados: ver a disputa para Presidente →
Charge: sob a placa 'Renan Santos, candidato pela Missão', o candidato de capa verde e amarela cavalga uma onça-pintada e diz 'A verdade sempre vence! Comigo o Brasil vira onça!'. Legenda: Renan Santos na onça. Renan Santos não entra no curral a pé: chega montado na onça, em modo ofensiva. No sertão do Berrantômetro, quem quer espaço precisa rugir antes que a poeira esconda o candidato.
✎ CHARGE · OPINIÃOAgora os dados: ver a disputa para Presidente →
Charge: cinco comentaristas numa bancada de TV dizem 'Olha a curva!', 'Ele derreteu!', 'Esse é o candidato viável!', 'Não desperdice seu voto!'; no rodapé: pesquisa, análise, narrativa, voto útil, estado de emergência eleitoral. Legenda: Os comentaristas. No estúdio, toda curva vira urgência e todo tropeço vira manchete. A boiada assiste aos intérpretes da corrida, enquanto o comentário ajuda a transformar percepção em escolha.
✎ CHARGE · OPINIÃO
Charge: a boiada, coberta de bandeiras do Brasil, entra pela porteira 'Curral do voto útil' ao pôr do sol; uma placa lista 'mesmos de sempre: carga tributária, mais Estado, mesmas promessas, novos escândalos'. Faixa: 'O berrante muda, mas o curral é sempre o mesmo'. Legenda: O curral do voto útil. No fim da trilha, o cenário parece velho conhecido: mudam os gritos, mas sobram as mesmas promessas e os mesmos atalhos. O Berrantômetro fecha a crônica lembrando que o curral continua de pé.
✎ CHARGE · OPINIÃO
Charge: pesquisador de colete 'Datafolha' mostra um quadro com percentuais fictícios de candidatos e diz 'com margem de erro de 2 pontos e 95% de confiança'. Legenda: Datafolha e a medida do vento. Antes de a corrida terminar, alguém sempre mede o vento e anuncia tendência. No curral das pesquisas, número, recorte e narrativa viram bússola para empurrar o voto útil.
✎ CHARGE · OPINIÃO
Charge: operário de colete 'Datafolha' aperta botões de uma máquina 'Fábrica de pesquisas' e diz 'é só ajustar a amostra, o recorte e a pergunta que o resultado vem do jeito certo'. Legenda: A fábrica de pesquisas. Na oficina do voto útil, a pesquisa sai da máquina já pronta para pautar a conversa. É ali que amostra, margem de erro e narrativa ganham cara de destino inevitável.
✎ CHARGE · OPINIÃO
Charge: seis homens com placas 'Davi Alcolumbre', 'Hugo Motta', 'Luciano Huck', 'Lulinha', 'Jacques Wagner' e 'Daniel Vorcaro', alguns segurando sacos de dinheiro. Legenda: O grupo do amor. Aqui a política vira camarote afetivo, rede de alianças e acenos em série. No Berrantômetro, amor, capital, televisão e centrão dançam junto quando o palco pede articulação.
✎ CHARGE · OPINIÃO
Charge: sete cavaleiros lado a lado, com placas 'Ronaldo Caiado', 'Alexandre de Moraes', 'Paulo Gonet', 'Flávio Dino', 'Edson Fachin' e 'Flávio Bolsonaro + Jair'. Legenda: A cavalgada do curral. No miolo da corrida, cada cavaleiro traz sua placa, seu papel e seu recado. Entre alazão, mula preta e discursos cruzados, o curral mostra que a política também é desfile de forças e influências.
✎ CHARGE · OPINIÃO

Recortes da largada

A charge de abertura, vista de perto: um quadro para cada montaria.

Leia antes dos números

O que os números deste site não provam

  1. 1. Pesquisa não é amostra aleatória.No Brasil, a maioria das pesquisas usa cotas, painéis on-line ou telefone, sem sorteio probabilístico dos entrevistados. A “margem de erro” divulgada pressupõe um sorteio que não aconteceu: é uma convenção, não uma propriedade demonstrada.
  2. 2. A metodologia não é auditável.O registro no TSE traz um plano amostral resumido, mas não os microdados, os pesos nem a taxa de resposta. Sem isso, ninguém de fora consegue avaliar a robustez de uma pesquisa à luz da teoria da amostragem.
  3. 3. Aqui se descreve, não se infere.Médias, simulações e o erro histórico de cada instituto são CALCULADO ou CENÁRIO: condensam o que foi publicado. Não são inferência estatística sobre o eleitorado e herdam todos os vícios das pesquisas que os alimentam.
  4. 4. Fato é só o que foi observado.Votos apurados, contas declaradas e eleitorado são OBSERVADO. Ainda assim, mostram o que foi declarado ao TSE, não o que circulou fora da prestação de contas.
  5. 5. Pesquisa também é berrante.Anunciar quem lidera ajuda a decidir para onde a boiada corre. Leia cada número sabendo quem o encomendou, quem o divulgou e quando.
  6. 6. Charge é opinião.As ilustrações são sátira, geradas por inteligência artificial e marcadas como tal. Não retratam fatos e nunca servem de fonte para número algum. Ver todas as charges

As imagens desta página são charges: ilustrações satíricas geradas por inteligência artificial. São opinião, não fotos nem registro de fatos.