Crônica
A largada
✎ CHARGE · OPINIÃOTexto opinativo. Os números marcados ● são observados (fonte entre parênteses no selo).
Domingo, 4 de outubro, a porteira abre. Antes dela, durante meses, o que se ouviu foi berrante: cada candidato soprando o seu, cada um montado no bicho que escolheu para a foto.
Tem o dinossauro, que corre esta pista desde 1989 e conhece o atalho de cada curva. Tem a onça, que ruge mais no algoritmo do que no palanque. Tem o alazão de rédea curta, a jegue mineira carregada de pão de queijo e, lá no alto, um candidato meditando sentado na lua. À margem, sem estar na cédula, cavaleiros de toga também galopam.
Berrante custa. As campanhas já declararam R$ 6,36 bi ● TSE, até 03/10/2026 em receitas. Para afinar o toque, vieram as pesquisas: 85 ● registro TSE delas já compiladas aqui, e 21.651 ● RSS, 20 veículos notícias ecoando o som.
E a boiada? São 158,7 mi ● TSE eleitores, cada um com seu brinco amarelo na orelha. Diz o senso comum que o gado segue o berrante mais alto. A pesquisa anuncia quem está na frente, o anúncio vira manchete, a manchete vira berrante — e a profecia trabalha para se cumprir sozinha.
Este site não sabe para onde a boiada vai. Ninguém sabe: as pesquisas não usam amostra aleatória nem têm metodologia auditável, e as simulações daqui só reorganizam o que elas dizem. O que dá para fazer é contar os berrantes, medir quanto custaram e lembrar o que nenhuma charge consegue desenhar: na urna não tem peão. Cada brinco vota sozinho.





