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Berrantômetro
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O Berrantômetro não faz pesquisa eleitoral. Analisa dados públicos oficiais e pesquisas registradas no TSE, com a fonte em cada card. Estimativa é cenário, não é resultado. Leia o aviso completo

Revista BerrantômetroEditorial · 2º turno

Sopa paraguaia eleitoral

No 2º turno, o berrante toca dobrado: pesquisa que vira profecia, a porteira do voto útil e promessa com nome de benefício que chega em casa como boleto.

Editorial · a opinião da Revista Berrantômetro18 de outubro de 2026 · 3 min de leitura✎ ARTIGO · OPINIÃOeditorial · opinião da revista · não é dado do Berrantômetro
Charge 'O rodeio do 2º turno': candidatos em suas montarias diante da boiada de eleitores, o STF com escudos contra um redemoinho de boatos e o contribuinte segurando a carteira diante das contas.
✎ CHARGE · OPINIÃOilustração satírica gerada por IA

Quem já viu comitiva pantaneira passar sabe como funciona: o berranteiro vai na ponteira, toca o berrante, e a boiada segue o som. Ninguém pergunta para onde. O gado não lê placa, segue berrante. E até aí, tudo bem: é boi, é o serviço dele.

O problema é quando a comitiva é eleitoral e a boiada somos nós.

No 2º turno, o berrante toca dobrado. Toca a pesquisa, toca o comentarista, toca o grupo de zap da família, toca o influenciador que ontem vendia suplemento e hoje vende candidato. Cada um com seu berrante, todo mundo jurando que sabe o caminho do pasto bom.

Pesquisa — Está 51 a 49.

Comentarista — VIROU! ACABOU! DERRETEU!

Eleitor, coçando a cabeça — Ué… e a margem de erro, foi pra onde?

Pesquisa é retrato, não é profecia. Os mesmos institutos que hoje anunciam o fim do mundo erraram, e não foi pouco, no 1º turno (os números estão aqui no site, na página do erro das pesquisas, instituto por instituto, sem passar pano para ninguém). Mesmo assim, o levantamento entra no estúdio como fotografia e sai como sentença: “fulano não tem chance, vota útil”.

E aí vem a porteira do voto útil, que é a porteira mais bem pintada da fazenda. Em cima dela, a placa: “Vote no menos pior”. O eleitor passa, eleição após eleição, e depois reclama que no curral só tem os mesmos. Ixi… mas quem foi que abriu a porteira, guri?

Agora, o prato principal da temporada: a sopa paraguaia eleitoral. Quem é daqui sabe que sopa paraguaia não é sopa, é bolo. Promessa de campanha é igualzinha: tem nome de benefício e chega em casa como boleto. Na reta final aparece de tudo: perdão aqui, bondade ali, programa novo acolá, sempre anunciado em cima da hora, como se o dinheiro público brotasse em pé de bocaiuva. Do outro lado da cerca, o cardápio é outro, mas a cozinha é parecida: medo servido à vontade, boato quentinho no zap e a jura de que, se o outro ganhar, o Brasil acaba na segunda-feira. Um lado promete o que não diz quanto custa; o outro assusta com o que não consegue provar. E quem paga a conta dos dois é o mesmo sujeito.

A lei, risss, até tenta pôr ordem na comitiva. O art. 73 da Lei das Eleições proíbe usar a máquina pública para desequilibrar a disputa. Mas lei sem fiscal atento é igual porteira sem tramela: está ali só para enfeite. E Justiça que enxerga um lado e é cega para o outro deixa de ser Justiça e vira torcida organizada.

Ê, boiada!

O personagem principal desta história não está no palanque. Não é o candidato da esquerda, nem o da direita, nem o instituto de pesquisa, nem o ministro. É o sujeito que acorda às cinco, pega o ônibus lotado, toma o tereré na pressa e paga imposto até no pãozinho: o eleitor-contribuinte. Ele não é gado. Ele só é tratado como gado, de quatro em quatro anos, por todos os berranteiros.

Por isso o Berrantômetro existe. Não para dizer em quem votar (isso é assunto seu e da sua consciência), mas para mostrar de onde vem cada voto, quanto custou, quem prometeu o quê e quem errou a previsão. Dado oficial, com fonte e data. Do resto, cuida a charge.

No domingo, 25, antes de entrar na fila, faz um favor a si mesmo: desliga o berrante dos outros por um minuto e escuta o seu. Pode ser que ele toque igual ao da pesquisa. Pode ser que não. Mas pelo menos foi você quem tocou.

Boa eleição. E cuidado com a sopa paraguaia, risss.

As imagens desta página são charges: ilustrações satíricas geradas por inteligência artificial. São opinião, não fotos nem registro de fatos.