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O Berrantômetro não faz pesquisa eleitoral. Analisa dados públicos oficiais e pesquisas registradas no TSE, com a fonte em cada card. Estimativa é cenário, não é resultado. Leia o aviso completo

Revista BerrantômetroCrônica satírica · Eleições 2026

O carro roubado, o gênio das rachadinhas e o Feitiço de Alckmin

A matemática eleitoral faz as contas, consulta os modelos e, quando abre a garagem, descobre que o carro estava estacionado em outra dimensão.

Por Amaury José Rezende31 de outubro de 2026 · 3 min de leitura✎ ARTIGO · OPINIÃOsátira · texto dos autores · não é dado do Berrantômetro
Charge panorâmica 'O Feitiço de Alckmin': Janones com a cartola do engajamento, Alckmin de mago, Lula sorridente e o Mister M tirando votos da cartola, diante do contorno luminoso de um carro sumido; ao fundo, o lobo sob a lua e a águia sob o sol.
✎ CHARGE · OPINIÃOilustração satírica gerada por IAO Feitiço de Alckmin: de dia, águia; de noite, lobo. E o carro, só o contorno.

Acordei no dia seguinte à eleição, tomei café com a família e saí para trabalhar. Abri a garagem e quase caí para trás.

Eu — Cadê meu carro?

Minha esposa — Que carro?

Eu — O carro que eu ia comprar!

Minha esposa — Mas você nem comprou!

Eu — Pois é! Roubaram meu carro do futuro!

É mais ou menos assim que anda a matemática eleitoral brasileira.

O sujeito faz as contas, soma os votos, desconta a abstenção, separa brancos e nulos, consulta os modelos estatísticos e, quando abre a garagem, descobre que o carro estava estacionado em outra dimensão.

Mas calma! O Brasil tem seus gênios.

André Janones, o nosso Einstein do engajamento digital, já deve estar preparando o currículo para assumir o lugar de Mark Zuckerberg.

Afinal, para quem domina a alquimia das redes, transformar curtidas em votos deve ser tão simples quanto converter água em gasolina.

E, se a conta não fechar, chamem o Mister M!

O mágico que revelava os truques dos outros agora teria um desafio muito mais ambicioso: explicar de qual cartola saíram tantos votos e como apareceram justamente onde a matemática parecia ter perdido o endereço.

Porque, até agora, nem Pitágoras, nem Newton, nem o ChatGPT conseguiram convencer o Berrantômetro de que toda reviravolta eleitoral pode ser explicada com meia dúzia de frases sobre o carisma do Painho de Barbinha.

A matemática pode até não ter partido político. Mas, no Brasil, parece que precisa de autorização para fazer perguntas.

O Feitiço de Alckmin

Eis que surge outro personagem: Geraldo Alckmin!

O homem que parece ter encontrado a fórmula da imortalidade política. Já foi adversário, virou aliado e agora protagoniza seu próprio clássico: O Feitiço de Alckmin.

No cinema, em Feitiço de Áquila, os apaixonados nunca conseguiam se encontrar: durante o dia, ela era águia; à noite, ele era lobo.

Na política, nasceu a lenda da maldição de Alckmin: basta virar vice para o titular começar a ouvir os chamados do além!

Com Mário Covas, a história teve um desfecho real. Em Pindamonhangaba, o folclore inventou outro.
Agora, com Lula, já são quase quatro anos e o Painho de Barbinha continua firme!

Será que o feitiço perdeu a validade? Ou está apenas aguardando o quarto mandato para trocar a noite do vice pelo amanhecer do titular?

Por enquanto, Alckmin continua vice. E o galo já está rouco de tanto cantar!

Enquanto isso, Flávio Bolsonaro atravessa fronteiras, os estrategistas consultam as estrelas, os marqueteiros consultam os algoritmos e Janones provavelmente já está ensinando Zuckerberg a descobrir votos no metaverso.

E o carro roubado?

E o cidadão comum? Continua na porta da garagem, olhando para o espaço vazio e perguntando:

Cidadão — Afinal, cadê meu carro?

A resposta dos especialistas é tranquilizadora:

Especialista — O senhor precisa compreender os movimentos complexos de transferência de votos, a dinâmica das abstenções e as particularidades do comportamento eleitoral.

Cidadão — Tudo bem, doutor. Mas cadê o carro?

A crônica em quadrinhos: do carro sumido da garagem ao galo rouco de tanto cantar.
✎ CHARGE · OPINIÃOA crônica em quadrinhos: do carro sumido da garagem ao galo rouco de tanto cantar.

Moral da história: resultado eleitoral se respeita. Mas também se estuda, se audita pelos mecanismos legais e se explica com dados verificáveis.

Surpresa estatística não é prova de fraude, assim como confiança institucional não dispensa transparência.

Porque, no Berrantômetro, boi pode até voar na propaganda. Mas, para entrar na contagem, precisa passar pela porteira.

E o carro?

O carro continua desaparecido. Mas Janones já publicou que ele teve 15 milhões de visualizações.

Berrantômetro — Aqui a gente conta os bois. Milagre fica por conta do Mister M.

Crônica satírica de opinião, publicada originalmente pelo autor no LinkedIn em 31 de outubro de 2026. Personagens públicos aparecem em caricatura; nada aqui é dado apurado pelo Berrantômetro. Surpresa estatística não é prova de fraude.

As imagens desta página são charges: ilustrações satíricas geradas por inteligência artificial. São opinião, não fotos nem registro de fatos.